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AMPLIANDO A CONSCIÊNCIA ACERCA DAS RELAÇÕES


Relato de uma constelação familiar com um casal em 2019.


O casal procurou ajuda para compreender as brigas constantes na relação. A constelação desse casal aconteceu em um workshop vivencial (um grupo de pessoas).


Primeiramente o casal foi ouvido, e cada um expôs sua versão em relação à queixa apresentada.


A mulher trazia uma angústia por não ser vista, não ser valorizada, não ser amada... ela disse que esse comportamento vinha se arrastando por muitos anos, eles sendo casados há 22 anos.


O homem, por sua vez, colocou sua indignação diante das cobranças excessivas de sua mulher: “muitos gritos”, “muita raiva” e pouca disposição pela relação sexual.


Pedi que o casal se sentasse ao meu lado e que se olhasse nos olhos por 4 segundos... Lágrimas escorriam em suas faces.


Orientei que cada um escolhesse um representante pra si e os colocasse no campo (no centro da sala).


Os representantes do homem e da mulher foram colocados em frente um ao outro e, depois de se olharam por um instante, o homem deu-lhe as costas, e ela começa a chorar.

Após essa cena, convidei duas pessoas para representarem os pais da mulher e os coloquei na sua frente; ela estendia as mãos, chorando, como se quisesse ser abraçada. Os pais, entretanto, se afastaram, ambos olhando para o chão.


A mulher chora de soluçar, e diz: “eu não tenho lugar...”

Coloco então um representante velado no campo, e ela o abraça, os dois caem amontoados no chão.


Pergunto a ela: Sua mãe teve um aborto?


Ela responde: sim, antes de mim… já estava de 04 meses.


Então, eu pedi para que ela dissesse aos pais: “Se vocês não olham, eu olho, eu cuido!”


Ela repete a fala e o abraça ainda mais forte.


Pedi aos representantes dos pais que olhassem para seus filhos. A mãe cai no chão e chora, enquanto o pai acolhe o aborto e o leva até a esposa. Ambos abraçam ele e choram copiosamente…


Após um tempo, peço para ela dizer aos pais: “Eu só queria ser vista!”


E ela repete, chorando: “Eu só queria ser vista, estou muito só!”


Ao ouvir isso, o pai a puxa pra si e a abraça, sua mãe a olha com amor.


Momentos depois, coloco o casal frente a frente novamente.


Eles se olham por um longo tempo.


Peço que ela diga ao marido: “Eu sinto muito, não era com você!”


Ela repete a frase: “Eu sinto muito, não era com você!”

Eles se abraçam carinhosamente.


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Percebemos nos relacionamentos difíceis que ambas as partes não se conhecem. Ou que não conhecem nada um do outro.


Mesmo convivendo por décadas, se alguém te ataca ou te persegue, ele/a não ataca você. Ele/a ataca a imagem que tens de Ti, a projeção que faz de Ti, as ideias abstratas e mentais.

Portanto, não existe motivo para raiva. Quem te ataca está lidando e brigando com sombras... Quem ataca, ataca por um processo interno. Quem recebe a porrada é a imagem e ou projeção. Você se irrita, se magoa, porque acha que ele/a atacou você.

Precisamos aprender a não levar isso para o lado pessoal, e a deixar com o outro o sentimento que pertence à sombra dele/a. No auge do conflito, o melhor a se fazer é dar um passo atrás, silenciar e aguardar que ele/a perceba.


Posteriormente, cabe uma boa conversa - sem vitimização, sem querer achar culpados -, para que ambos possam se conhecer, acessar suas sombras e, quando possível, elaborá-las.


Quando essa relação se torna desafiadora, é hora de buscar ajuda profissional, a fim de se conhecerem e assim permitir que a relação amadureça. Irinéia Meira - Terapeuta Sistêmica

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